Pesquisa sobre HLB e Manejo do Greening é premiada em Congresso Internacional de Citrus
Estudo realizado por pós-doutorando do Depto. de Ciências Biológicas, da Escola Superior de Agricultura Luiz e Queiroz (Esalq/USP), classificou-se em primeiro lugar no Internacional Citrus Congress 2024. O evento ocorreu entre 10 e 14 de novembro de 2024, na Coreia do Sul, sob o tema HLB e Manejo Fisiológico do Greening.
De acordo com Camilo Lazaro Medina, autor do trabalho, a combinação adequada de algumas substâncias revelou à comunidade científica reunida em Jeju, aspecto fundamental do Manejo Fisiológico do Greening, o MFG. Para Medina, que há mais de 13 anos dedica-se e esse trabalho, ficou demonstrado nas pesquisas que aplicações frequentes de formulações específicas agem na reconstituição e funcionalidade do floema das plantas de citros, principal tecido afetado pela infecção da bactéria do HLB ou Greening.
Esse avanço do estudo científico soma-se aos conhecimentos e práticas de combate ao HLB, além de ampliar a possibilidade de novos tratamentos, o que é fundamental para evitar que o HLB reduza a produção paulista, muito importante para a citricultura.
O Greening, pior doença do citros, que afeta 44% dos pomares e ameaça a produção do cinturão citrícola, tem como agente causal a bactéria Candidatus Liberibacter asiatcus, uma bactéria que não é destrutiva dos tecidos, porém tem forte ação como parasita vivendo no floema, tecido especializado em transporte de substâncias para os órgãos como frutos em desenvolvimento. “O floema é rico em nutrientes que a bactéria se alimenta, sendo que a planta reage à infecção, o que acaba prejudicando dramaticamente o tecido e, consequentemente, todos os órgãos em desenvolvimento, inclusive os frutos”, explicou o pesquisador.
Medina complementou que a planta tem capacidade de renovação de seus tecidos, desde que se mantenha nutrida e hajam estímulos específicos que melhorem sua regeneração. “Assim, com conhecimento de nutrição mineral e adição de biorreguladores vegetais, é possível manter o pomar produtivo para possibilitar o convívio com a doença”, concluiu.
Para os colaboradores da pesquisa, Prof. Roberto de Camargo e Castro e João Paulo Marques, o reconhecimento da comunidade científica internacional sobre o tema é um grande avanço para a permanência dos citricultores brasileiros no mercado competitivo da indústria de sucos, onde o Brasil tem ocupado os postos de liderança há anos.
Texto:Alicia Nascimento Aguiar | MTb 32531 | 31.03.2025