Pesquisador da Esalq realizou estudo sobre regeneração de florestas tropicais

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Imagem feita com drone às margens da represa de Barra Bonita, do rio Tietê, localizada em Piracicaba (SP) | Crédito: Camilo Lázaro Medina

O interesse pelas interações espaciais do uso e ocupação do solo foi objeto de interesse de Frederico Tomas de Souza e Miranda, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), para desenvolver tese intitulada ‘Regeneração de Florestas Tropicais: avançando nas abordagens de modelagem e compreendendo as dinâmicas de longo prazo para uma restauração eficaz’.

A principal proposta da tese, que esteve sob orientação do Prof. Pedro Brancalion, do Depto. de Ciências Florestais da Esalq, foi avaliar como o corte recorrente da regeneração natural tem sido abordado em estudos que elaboram cenários futuros de expansão da cobertura florestal, além de quantificar a dinâmica desse corte recorrente em um estudo de caso na Mata Atlântica.

Miranda relata que sempre se preocupou com a simplicidade com que grandes projetos e metas relacionados à mitigação das mudanças climáticas projetam seus cenários de expansão das áreas tropicais sem, no entanto, considerar o dinamismo e a imprevisibilidade das novas florestas em regiões tropicais. Dessa forma, durante a elaboração do seu projeto de doutorado, resolveu não seguir a tendência acadêmica do momento, a modelagem do ganho de cobertura florestal. “Em vez disso, optei por dar um passo atrás, revisando o que tem sido estudado para contribuir de forma crítica à melhoria de futuros estudos que utilizam modelagem na elaboração de cenários de expansão de florestas nativas”, explicou o pesquisador.

O engenheiro florestal ressalta que, apesar dos avanços no entendimento dessa dinâmica transitória, os projetos de restauração em larga escala ainda carecem de informações mais robustas para a tomada de decisões mais assertivas sobre a real contribuição da regeneração natural para o cumprimento de suas metas.

“A regeneração natural de florestas tropicais, considerada uma das estratégias mais custo-efetivas para a restauração, tem demonstrado potencial para o sequestro de carbono e a recuperação da biodiversidade, mas enfrenta desafios, como a recorrência de cortes. Estudos recentes, utilizando dados de uso do solo em séries temporais longas, destacam a natureza transitória das florestas regeneradas e a necessidade de estratégias para garantir sua persistência e sustentabilidade”, destacou o pesquisador.

Num segundo estágio da pesquisa, Miranda teve como objetivo quantificar e caracterizar o dinamismo do ganho e perda de florestas secundárias na Mata Atlântica e, os principais resultados dessa fase, apesar das florestas secundárias estarem se expandindo continuamente na Mata Atlântica, a sua permanência na paisagem tem diminuído com o tempo, justamente no que traduz no aumento de cortes recorrentes. “Esse fato, juntamente com demais estudos sobre a Mata Atlântica, expõem uma tendência preocupante, isso porque o aumento da Mata Atlântica está ocorrendo em detrimento da perda de florestas mais maduras e, as novas florestas, estão durando cada dia menos tempo na paisagem. Esses resultados reforçam a demanda pelo desmatamento zero das florestas maduras da Mata Atlântica e pelo recrutamento e permanência das florestas mais jovens”.

Para o pesquisador, os benefícios de seu trabalho são vários. “Os benefícios do primeiro capítulo estão relacionados às diretrizes para a modelagem espacialmente explícita na regeneração natural das florestas tropicais de forma mais adequada à sua dinâmica. Com isso, espera-se que a elaboração de cenários futuros da expansão das florestas tropicais, realizada pelas iniciativas de restauração florestal seja condizente com a dinâmica dessas florestas. A contribuição do segundo capítulo foi compreender o grau de dinamismo da perda e ganho de florestas secundárias, bem como a influência das mudanças do uso de solo e da aplicação da Lei da Mata Atlântica sobre essa dinâmica. Essas constatações são ótimos subsídios para a proposição de políticas públicas que promovam florestas secundárias mais longevas e, consequentemente, de maior impacto na geração de serviços ecossistêmicos”, finalizou.

Essa pesquisa integra o Projeto Tese Destaque, uma parceria da Comissão de Pós-Graduação e Divisão de Comunicação da Esalq.

Texto: Alicia Nascimento Aguiar | MTb 32531 | 02/04/2025